"Tudo o que é sólido desmancha no ar". É com essa frase de Marx que Marshall Berman entitula seu livro publicado na dácada de 1980, no qual acompanha e analisa a "aventura da modernidade". Foi a partir dessa obra que comecei a pensar efetivamente sobre o que alguns chamam de "revolução permanente" que acontece no Capitalismo e no mundo ocidental. Estariamos vivendo numa época em que tudo se transforma incessantemente, numa época que tudo o que acreditamos cai em descrédito, todos os nossos valores são mudados, não temos algo a que possamos chamar verdadeiramente de nosso?
Que o mundo passa por transformações numa velocidade assustadora, ninguém discorda. Mas isso não seria algo bom para o Homem? Por que então é justamente essas mudanças que estão nos jogando numa era de "ausência de valores", onde "tudo que é sagrado é profanado"? Sinceramente, penso ser essa uma característica demasiadamente capitalista. Essa "ausência de valores" talvez seja uma consequência daquilo que os frankfurtianos chamam de "indústria cultural", por que você consome algo que não lhe faz sentido, e sim, uma cultura que não é a sua, vendida como se fosse uma mercadoria qualquer.
O capitalismo, levando em consideração o ser humano em relação ao seu poder de compra, reduziu nossos valores, nossa cultura, a uma mera mercadoria, em que o mais importante é o lucro de quem a produz. Como é que isso não vai criar um "vazio cultural"? Como é que isso não vai destruir tudo o que acreditamos, a partir de um momento que o que acreditamos não vender mais e ser demonizado pelo mercado?
Claro que essa experiência tem algo positivo, como a crescente globalização em que estamos inseridos, porém, até mesmo esse conceito de "globalização" precisa ser revisto, tendo em vista o caráter desigual das forças envolvidas. Enfim, vivemos uma era de transformações, uma era de união, embora, nos dizeres de Berman, "uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia."
Bruno Machado "Animal" é graduado em História pela UNESP.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Inauguração
Está inaugurado o blog da Escola filosófica Ponderalista. Antes de mais nada, é crucial traçar as diretrizes básicas de organização dessa filosofia que, na prática, busca não ser adepta de nenhuma das outras filosofias conhecidas e ao mesmo tempo de todas elas. A proposta reside na tentativa de se buscar análises mostrando que nenhuma das escolas conhecidas (marxista, pós-modernista e todas as outras) responde na sua totalidade as principais questões da história e da humanidade como um todo em todas as suas esferas. É necessário ponderar sobre a necessidade de se mesclar suas diferentes interpretações em torno de um único cerne, pois cada uma delas consegue responder apenas em parte cada um dos problemas levantados, sendo única em sua capacidade de interpretar cada viés histórico e sociológico. Portanto, é necessário sempre traçarmos mais do que um diálogo entre as respectivas vertentes e sim ir além, colocando-se como um passo a frente à um mero debate.
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